
Encontros nos Palácios Nacionais
No Paço Real de Sintra com Tiago Viúla de Faria: um (es)paço para folgar, caçar, colher e comer
Uma visita guiada que é uma viagem no tempo. Venha descobrir a íntima ligação entre o Palácio de Sintra e todo o domínio territorial que, durante séculos, lhe esteve agregado.
A beleza e os recursos de Sintra
A toponímia da implantação do Paço Real de Sintra é inequívoca. O palácio situa-se no Chão de Oliva, designação que, vigorando no tempo de D. Dinis, provavelmente seria bem mais antiga, podendo remontar ao período islâmico. Com efeito, Sintra é descrita por fontes árabes como um local invulgarmente aprazível, entre a serra e o mar, abençoado com ribeiras de boa água, hortas fartas e viçosos pomares. Sem dúvida, ao longo de toda a Idade Média e nos séculos seguintes, as estadias dos reis de Portugal, que eram proprietários do Paço de Sintra, e de membros da sua família imediata confirmariam tanto a importância cardeal deste edifício na vida da corte portuguesa, como o magnetismo que o território circundante sobre ela exerceu.
Nesta visita guiada a algumas das dependências mais emblemáticas do Palácio de Sintra, poremos a descoberto a íntima ligação entre este paço e todo o domínio territorial que, durante séculos, lhe esteve agregado. Trata-se, ainda hoje, de uma paisagem notável não apenas pela sua beleza, mas por via dos recursos ambientais que proporciona. O paço, os monarcas que aí residiram, as suas famílias, comitivas e convidados foram o principal destino desses recursos ― fossem estes florestais, agrícolas, pecuários ou cinegéticos. Fruto de preferências régias, das tendências culturais em voga na Europa do tempo, ou da alteração gradual dos funcionais e recreativos do espaço palatino, seria a caça a impor-se na cultura da corte portuguesa em Sintra e, de forma bem evidente, na própria fisionomia que o Paço Real ainda hoje conserva.
Sobre o orador
Tiago Viúla de Faria é investigador no Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova e docente convidado na Universidade de Coimbra, na área de História Medieval. Doutorou-se no St John’s College da Universidade de Oxford (2012), com uma tese sobre relações anglo-portuguesas na Idade Média. Desde então, leccionou em universidades no Reino Unido, Estados Unidos da América e no nosso País. A sua atividade de investigação tem conquistado diversos prémios e bolsas internacionais ― no Brasil, França, Espanha, Portugal e Reino Unido.
Privilegiando a confluência entre história, literatura e estudos do património, os seus principais contributos científicos gravitam em torno da cultura cortesã no medievo, percorrendo linhas de investigação sobre diplomacia na política e sociedade, sobre os animais na cultura medieval, e sobre a escrita cronística como dispositivo ideológico. Preside a Rede para o Ambiente nos Usos e Sociedades Medievais (NEMUS), que fundou, e é investigador principal do projeto multidisciplinar FALCO (Problematizando as relações entre humanos e outros animais em Portugal medieval). Curador adjunto do Portal Fernão Lopes, é ainda responsável pela coordenação pedagógica deste. Tem publicações no Journal of Medieval Studies, The English Historical Review, Presses Universitaires de France, Boydell Press, Brill, Cambridge e Oxford University Press, entre outras chancelas de primeiro plano. Coordenou a obra Philippa of Lancaster and the Court Culture of Medieval Portugal (Palgrave MacMillan, 2024).
Mais informações
- Local: Palácio Nacional de Sintra
- Data: 28 de maio de 2026
- Horário: 19:00
- Duração: 1h15
- Destinatários: Jovens e adultos
- Ponto de encontro: Entrada principal do Palácio
- Informações adicionais: A atividade termina com um cocktail, para convívio e discussão informal de ideias e de experiências, com a duração de 30-45 minutos. A participação nesta iniciativa tem um valor simbólico de 3€, contribuindo diretamente para a plantação de árvores que irão rearborizar a floresta da paisagem cultural.